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2002: o Adeus de Gomes, Delmino e “Teixeirinha”

Entre 2001 e final de 2002 três nomes importantes no nosso historial abandonam em ciclismo. Em final de 2001 Delmino Pereira encosta a bicicleta aos 34 anos, possuidor de uma dos mais invejados palmarés da época, definindo-o como um dos ciclistas mais completos da sua geração, senão o mais polivalente. Delmino sprintava, rolava, subia bem e até fazia bons C/RI.

No final de 2002, era a vez de Joaquim Gomes abandonar, depois de uma época menos bem sucedida, já sem o grande entusiasmo do ano anterior. Para muitos, o melhor ciclista da sua geração, foi sem duvida o melhor trepador português de todos os tempos, a correr no nosso país. Uma honra para o Boavista, que a sua carreira tenha chegado ao fim com a camisola do Boavista envergada, e a homenagem de que foi alvo em Gondomar, por Valentim Loureiro.

Deixamos para o fim, o abandono mais discreto, de Carlos Teixeira que, durante muitos anos envergou a nossa camisola, conquistou títulos de montanha, um pouco por toda a parte, e era o menino querido de quase toda a equipa. Fez algumas travessuras, sempre desculpadas, porque o Teixeirinha, diminutivo que estaria, presumimos, ligado à sua baixa estatura deixou saudades

Mas se os abandonos foram muitos e importantes, nesta época, uma entrada foi muito saudada, a de Peio Arreitunandia, ciclista basco, um bom trepador, com uma caixa de ar impressionante, um autêntico armário. Foi o ano, também, da chegada de Joaquim Sampaio, que ainda hoje está ligado a equipa, dois elementos que constituíram uma importante mais valia para a afirmação da equipa.

David Bernabéu, que começava a afirmar-se como um bom ciclista, venceu o Prémio de Torres Vedras e, no estrangeiro, Josep Jufre venceria a clássica espanhola de Dois Puertos, enquanto em França, o mesmo David Bernabeu acabaria vencedor do Troféu Finisterre.

A equipa continuava a fazer um esforço para se manter a nível internacional, com resultados sempre bem sucedidos.

Na Volta a Portugal, logo no prólogo a equipa dá nas vistas e perde para a Banesto por um escasso segundo, uma oportunidade única para termos envergado a camisola amarela. No final, Arreitunandia ficaria no quarto lugar, logo seguido por David Bernabeu, na quinta posição.

Plantel da equipa:

Peio ARREITUNANDÍA
David BERNABÉU
Gustavo VELOSO Gustavo \\-
Gustavo LEMOS Gustavo
Ricardo FELGUEIRAS
Joaquim GOMES
Josep JUFRÉ
Adrian PALOMARES
Atanas PETROV
José RODRIGUES
Joaquim SAMPAIO
Pedro SOEIRO
Carlos TEIXEIRA

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2001: o regresso de Joaquim Gomes

A Carvalhelhos marca o início de uma nova era. A equipa alarga-se para doze ciclistas e de Espanha vem mais um jovem rotulado com grande futuro… Gustavo Veloso, exímio rolador, uma jóia ainda em bruto.

No sul do país, Joaquim Gomes sai da LA Aluminios em rota de colisão e treina sem grandes convicções, pensando já em abandonar a modalidade. As conversações para a sua inclusão na equipa são feitas em surdina, até que em maio, é anunciada oficialmente a sua contratação, provocando, como é lógico, uma grande atenção em torno da equipa.

Com a preparação um pouco atrasada, Gomes faz todas as corridas até à Volta, com uma evidente melhoria à medida que se aproximava a prova rainha. Curiosamente, a prova começava em Torres Vedras, concelho onde vivia, em Casalinhos de Alfaiate e o ambiente em seu redor era de euforia.

O momento alto foi proporcionado no C/RI entre Manteigas e Piornos, em que Joaquim Gomes foi segundo, exatamente a um segundo do vencedor,o suíço Fabian Jeker que acabaria por vencer a Volta nesse ano.

A culminar a sua prestação na Volta, Joaquim Gomes concluiria no quinto lugar, numa clara demonstração de que tivesse principiado a temporada desde o início, certamente que teria discutido o triunfo final.

Ao longo da temporada, Adrian Palomares viria a ganhar o Prémio de Torres Vedras, uma prova de referência do ciclismo nacional. 2001 marca, também, uma data importante no retrocesso do ciclismo nacional, quando numa “jogada” de Artur Lopes, na altura Presidente da Federação, e num concurso mais que duvidoso, o JN é preterido na organização da Volta a Portugal, por uma entidade desconhecida, a PAD, que viria a falir, poucos anos depois.

Composição:
David BERNABÉU
Gustavo VELOSO
Ricardo FELGUEIRAS
Rafael FERNÁNDEZ
Joaquim GOMES
Josep JUFRÉ
Ramon MEDINA
Adrian PALOMARES
Delmino PEREIRA
Atanas PETROV
Alexandre PINHO
Pedro SOEIRO
Carlos TEIXEIRA

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2000: Boavista assume os encargos da equipa

Em finais de setembro de 1999 a Recer informa o Boavista de que cessa o seu patrocínio, depois de doze temporadas como sponsor. A notícia, inesperada, caiu que nem uma bomba, numa altura da época em que não era fácil encontrar rapidamente um novo patrocinador.

Marco Morais foi campeão nacional
Marco Morais foi campeão nacional

Após reunião de Direção, era presidente João Loureiro, é dada luz verde para continuidade da equipa, com um orçamento significativamente mais baixo, permitindo, contudo, que a equipa se mantenha na segunda divisão do ciclismo mundial . São feitas algumas provas no estrangeiro, mas aí, também, as dificuldades começavam a aumentar para correr lá fora, pois eram já numerosas as equipas, em especial de primeira divisão.

Tendo como base ciclistas espanhóis jovens, a equipa contrata Adrian Palomares, que já não tinha ingressado em 1999, devido á sua juventude e ao elevado numero de espanhóis já contratados. Palomares que, ao longo dos anos, seria uma peça fundamental na equipa, pela sua raça, fogosidade e humildade. Bastante tímido, Palomares quase que tremia quando lhe era confiada uma missão mais importante.

Uma das frases célebres do valenciano, foi numa conversa com Delmino, quando este lhe disse : “Sabes o Chefe já foi campeão nacional de pista .” Algo interrogado, Palomares respondeu “ Qui el Professor campeão de pista, só si fuera de danças de salão.”

Com uma equipa em construção, os resultados não foram famosos, apesar de tudo, Marco Morais conquistou em Bragança, um título nacional, o maior triunfo da equipa nessa temporada, e do próprio ciclista, apontado como um esperança do ciclismo nacional, mas que não atingiu os resultados esperados, abandonando prematuramente a modalidade.

Em agosto, antes da partida para a Volta a Portugal, a equipa já tinha um novo patrocinador para 2001, a Carvalhelhos, cujo patrocínio se ficou a dever , ao major Valentim Loureiro.

O Boavista tinha terminado a temporada, com algumas dificuldades financeiras, mas com a situação resolvida e com todos os seus compromissos saldados.

Plantel:
1 Pedro ANDRADE
2 José BARROS
3 David BERNABÉU
4 Victoriano FERNÁNDEZ
5 Josep JUFRÉ
6 Marco MORAIS
7 Adrian PALOMARES
Delmino PEREIRA
Atanas PETROV
Pedro SOEIRO

 

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1999: Fim do ciclo Recer

A UCI procede a nova reforma e escalona as equipas em três divisões, cinco equipas nacionais acabam por ficar na segunda divisão e três na terceira. Na segunda divisão estão as formações do : LA. Aluminios – Pecol , Maia – Cin , Porta da Ravessa – Milaneza , Recer – Boavista e o Benfica – Winterthur, que regressa ao ciclismo, na era Vale de Azevedo, dando um novo impulso à modalidade. Na terceira divisão ficaram as equipas do Gresco-Tavira. Matesico-Abóboda e Paredes.

A equipa renova-se de forma pensada, pois grande parte dos ciclistas estavam já previamente acordados no ano anterior. Depois de um braço de ferro com a UCI, a equipa é inscrita como portuguesa, apesar de contar com mais ciclistas espanhóis ( 7) do que portugueses, participando novamente na Volta ao Luxemburgo e, por interesses comerciais da Recer, na Volta à Polónia.

Os resultados não são famosos, numa equipa de transição, com ciclistas muito jovens, mas com largo futuro. Na Volta a Portugal, Delmino Pereira no nono lugar é o melhor classificado, e a equipa no final de temporada perde algum vigor, quando a Recer anuncia, um pouco em cima da hora, a sua renúncia em continuar como patrocinador, alegando novas estratégias publicitárias. A equipa treme e o futuro é nebuloso.

Com a saída de Saulius Sarkauskas a equipa procura um novo sprinter, e a escolha caiu em Pedro Soeiro, ainda sem grande experiência e que se manteria no clube por largos anos.

Plantel da equipa:
Pedro ANDRADE
David BERNABÉU
Victoriano FERNÁNDEZ
César GARCÍA
Josep JUFRÉ
Marco MORAIS
Antonio NÚÑEZ
Gustavo OTERO
Delmino PEREIRA
Pedro SOEIRO
Rafael RUÍZ
Pedro SOEIRO
Carlos TEIXEIRA
Arturas TRUMPAUSKAS (ltu.)

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199: Delmino Pereira é campeão nacional

O ano começa com um caso entre o Boavista e o Maia, com Paulo Ferreira assinar pelos dois clubes e a criar um impasse, o que não agradou ao Boavista que acaba por o libertar.

Delmino Pereira
Delmino Pereira

Delmino Pereira vence o campeonato Nacional de Fundo em Santo Tirso, num sprint de força, dando ao Boavista o segundo Nacional do seu historial, e colocando a equipa, de novo, entre as melhores do ciclismo nacional, numa luta acesa e direta com a equipa do Maia.

Na chegada a Aveiro, ultima etapa do primeiro Prémio Portugal Telecom, Saulius Sarkauskas vence a corrida, bem nas barbas de Candido Barbosa, num sprint de mais de trezentos metros.

Para culminar a boa temporada, Delmino Pereira sobe mais uma vez ao pódio de uma das maiores provas nacionais, o Prémio de Torres Vedras. Disputado aos segundos, o Prémio de Torres Vedras estava ao rubro, com poucos segundos a separarem os primeiros classificados, devido ás bonificações. Na chegada ao Montejunto, Joaquim Gomes tenta deixar Delmino que se cola à sua roda e aguenta os ataques. Sabendo que Delmino era mais rápido, Gomes ameaça que o deixa ficar para trás e combinam a chegada. Gomes ganhava a etapa e Delmino a amarela. Do carro de apoio, para o alto onde estava Eduardo Correia veio o aviso para Delmino, a trezentos metros para a meta: “ O Chefe disse que é para o risco.” Delmino ganha e Gomes acusa-o de faltar ao combinado. Em entrevista a uma rádio local, José Santos afirmou: “ No ciclismo não há combinações. Agora nem as mulheres usam combinações.” No dia seguinte, no circuito final, os insultos e ameaças foram constantes ao longo da ultima etapa.

Na Volta a Portugal, na etapa da Torre, Delmino passa em quinto lugar nas Penhas da Saúde, num grupo de poucos ciclistas e onde vinham integrados os favoritos, Na descida, que antecede a subida final para a Torre, é visível que não domina a bicicleta e deixa de pedalar. A bicicleta vai parando por si própria, por força da inclinação que segue ao final da descida , o mecânico sai do carro em andamento e impede a sua queda. Uma violenta hipoglicemia deitou por terra a ambição de poder discutir o triunfo final. Muito a custo, e depois de ter arremessado os sapatos para longe, que lhe são calçados pelo diretor desportivo, segue viagem, depois de ter sido assistido pelo médico da prova e auxiliado por Juan Arenas e Santos Hernandez , que são mandados parar para o auxiliar, corta a linha de chegada com um atraso substancial.

Sabedores do poder dos ciclistas portugueses nas etapas montanhosas, os ciclistas italianos, presentes em força na edição desse ano da Volta, imprimiram um ritmo diabólico até à entrada da Covilhã, com a média a ultrapassar os 50 kms/h, tornando difícil a hidratação e alimentação ao longa da etapa, o que se veio a ressentir subida acima.

Ainda na Volta a Portugal a equipa seria consagrada na Póvoa de Varzim, como a melhor da Volta, repetindo o êxito já alcançado em 1989 . Foi um triunfo importante, acolhido pelos sócios axadrezados, como uma grande vitória.

O plantel tinha sido reforçado com três ciclistas espanhóis, já experientes, mas a sua contratação não deu os resultados esperados. Blas Giner deixou a equipa a meio da época e Arenas e Santos Hernandez estiveram longe de atingir o esperado. Quintino Rodrigues foi a grande contratação desse ano.

Plantel da equipa:

Juan ARENAS (Esp )
Carlos CARNEIRO
Arunas CEPELE
Blas GINER
Santos HERNÁNDEZ
Fernando MOTA
Delmino Pereira
Quintino RODRIGUES
Saulius SARKAUSKAS
Luis SARREIRA
Carlos TEIXEIRA

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1996: Cássio venceu o Porto-Lisboa e Teixeira brilha na Volta

Em 1996 é feita a primeira estruturação na UCI, com as equipa serem catalogadas de 1ª e 2ª divisão, escalão em que são colocadas todas as equipas nacionais. A Sicasal, depois de uma não muito bem sucedida participação na Vuelta, desaparece no final de 1995 da cena desportiva, deixando muitos ciclistas numa situação aflitiva.

Para compensar é criada a LA Aluminios-Malveira com Manuel Maduro no comando e Joaquim Gomes como chefe de fila. No Boavista a equipa alarga-se um pouco, e da Lituânia vem Saulius Sarkauskas, que viria a ser um dos melhores sprinters dos anos seguintes.

Cássio Freitas alinha no Porto-Lisboa com o objetivo de abandonar a corrida em Coimbra, mas em S.João da Madeira entra na fuga do dia, e é obrigado a prosseguir corrida pelo diretor desportivo, José Santos. Na Malveira ataca e o Boavista ganha , pela primeira vez no seu historial, a grande clássica nacional

A equipa faz uma série de contratações na zona de Lisboa, de onde chega Carlos Teixeira, que viria a vencer o Prémio de Montanha na Volta a Portugal e que faria a delicia dos espetadores, quando em plena corrida , atende o telemóvel, quando seguia isolado numa fuga, perante a estupefação de Serafim Ferreira.

Ainda na Volta a Portugal, Carlos Carneiro vence a primeira etapa, na chegada a Alijó e atira-se à piscina, em pleno pódio, perante o gáudio popular, mas a equipa alinha desfalcada. Em pleno treino do Porto para Vila Real, a dois dias do início da Volta a Portugal Delmino adoece e é chamado de urgência, a um dia do início João Santos, que atende o telemóvel.. .na praia. Chega a Murça, onde a equipa estava alojada, à meia noite.

A equipa de trabalho mantém-se com José Santos como diretor desportivo, Eduardo Correia como adjunto, Guilherme Marques e Fernando Costa como mecânicos e Francisco Silva como massagista.

No final de temporada é feita nova remodelação na equipa, que vai depositar total confiança em dois ciclistas: Delmino Pereira e Saulius Sarkauskas.

A equipa continua equipada com bicicletas Masil.

Plantel:
Carlos CARNEIRO
Arunas CEPELE (Lit)
João SANTOS
Cassio DE PAIVA (Bra)
Paulo MARTINS
Fernando MOTA
Delmino PEREIRA
Alexandre Rodrigues
Saulius SARKAUSKAS
Luis SARREIRA

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1995: a melhor Volta de Delmino Pereira

A equipa ressente-se da ausência de Joaquim Gomes, ficando com Cássio Freitas e Delmino Peireira como cabeças de cartaz. A época até não começa mal, com Cássio a vencer o Prémio A Capital.

Da Lituânia chegam dois reforços, Arunas Cepelé , que viria a ficar no clube por muitos anos, e Remigius Lupeikiz, que venceria uma etapa na Volta ao Alentejo e seria medalha de bronze nos Mundiais de Pista, na prova por pontos.

Na Volta a Portugal, Delmino Pereira viria a ter um plano de destaque. Conseguiu o terceiro lugar, o seu melhor lugar de sempre, ele que foi um dos melhores ciclistas da sua geração, e o mais polivalente. Bom trepador, razoável a sprintar e excelente rolador tem um dos melhores palmarés, mas a sua grande ansiedade traiu-o em muitas ocasiões.

Delmino que faria toda a sua carreira ao serviço do Boavista, e que venceu praticamente todas as grandes provas nacionais, com exceção da Volta a Portugal .

José Azevedo venceria o Prémio da Juventude na Volta.

A equipa dividiu-se em provas pelo calendário internacional, mas a diminuição do plantel, fez diminuir o número de provas no estrangeiro, centrando-se a atividade mais em Espanha, onde participou na Semana Catalã, Volta a Aragão, Murcia, Castilla e Leon e Asturias.

Com uma nova filosofia, entrou para os quadros da equipa o sprinter Paulo Pinto, que venceu algumas etapas, nas principais provas nacionais.

Neste ano, ficou célebre uma frase da Cássio Freitas, referindo-se ao mecânico Guilherme Marques : “ Oh Zé Santos que mecânico lindo.” Na passagem do pelotão por Lousada, o Guilherme estava na residencial, não tinha ido à etapa e gritou :“ Força Jaquim”, referindo-se a Joaquim Gomes, que estava a correr pela Sicasal.

A composição do plantel era a seguinte:

1 José AZEVEDO
2 Paulo BARROSO
3 Arunas CEPELE
4 Cássio FREITAS
5 Remigius LUPEIKIS
6 Fernando MOTA
7 Carlos PEREIRA
8 Delmino PEREIRA
9 Paulo PINTO
10 Luis SANTOS
11 Luis SARREIRA

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1989, o ano da afirmação

Esta época foi a afirmação da equipa no seu pleno. Pela primeira vez o Boavista encontra um sponsor disposto a alinhar desde o início de temporada. A Recer, empresa cerâmica de Oliveira do Bairro, tinha sido, nos anos anteriores, patrocinador da equipa do Sangalhos, que tinha na altura duas grandes secções: o ciclismo, seguindo a veia tradicional da região e o basquetebol.

Em 1989 os triunfos mais relevantes foram obtidos por Manuel Zeferino que venceu a clássica Matosinhos – Régua e o Grande Prémio Correio da Manhã, Delmino Pereira venceu o GP de Gondomar, a Volta a Vila Real e o Campeonato nacional de Fundo.
Na Volta a Portugal Delmino Pereira venceu o prólogo, no Marco de Canavezes e andou cerca de uma semana com a camisola amarela de leader , enquanto José Santiago repetia o triunfo no Prémio da Montanha.

Por seu turno, a Recer queria alargar horizontes e constituir uma equipa de maior prestígio, dado que os dirigentes bairradinos dedicavam mais atenção ao basquetebol, em detrimento do ciclismo e, num contacto com o engº Rui Abrantes, na altura administrador da Recer, ainda em 1988, o acordo tinha ficado selado, numa reunião em Santa Maria da Feira com José Santos. Quem tratou da assinatura do contrato, foi na altura o major Valentim Loureiro, o que constituiu a quase autonomia do departamento, com o Boavista a assumir apenas 35% das despesas da secção.

Delmino era um jovem transmontano, sem grande experiência de ciclismo, mas com uma força tremenda, e já não tinha passado despercebido a José Santos, os seus grandes atributos como um ciclista fora de série, bem patentes já em 1988, no ano da sua estreia no profissionalismo. E se Delmino era considerado a maior esperança do ciclismo nacional, melhor o confirmou, com uma série de vitórias, só ao alcance de grandes ciclistas. O título nacional, que era um dos grandes objetivos da equipa, desde a sua fundação, tinha sido finalmente conquistado. Faltava, agora a Volta a Portugal.

Em definitivo a equipa era considerada uma das melhores do pelotão nacional, em que competiam a Orima-Cantanhede, Atum Bom Petisco-Tavira, Garcia Joalheiro, Louletano-Vale do Lobo, Aqualine-Olhanense, Salgueiros – Landimar, Sangalhos-Grundfos, Ruquita-Feirense, Stand Custódio – Sambrazense, Sicasal- Torrense e a Vigor – Lousa. O pelotão nacional continuava a crescer, e um adversário de respeito aparecia com muitos meios : a Sicasal- Torrense, com quem o Boavista viria a travar, nos anos seguintes intensos duelos, que marcaram uma época de ouro do ciclismo nacional.

Dois nomes de grande historial no ciclismo nacional integraram a equipa nesse ano: o mecânico Guilherme Marques, quanto a nós o melhor mecânico de sempre no panorama nacional e o massagista Francisco Silva, dois lisboetas de gema. A equipa ganhava estrutura.

Plantel 1989:

António Alves – 01/10/1956
David Assunção – 18/02/1967
José Ferreira – 27/02/1964
Carlos Moreira – 13/08/1966
José Santiago – 05/06/1966
Luis Santos – 27/05/1966
Manuel Vilar – 24/04/1962
Manuel Zeferino – 23/07/1960
Delmino Pereira – 23/ 08 /1967

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Triunfos aumentam prestígio em 1990

Em 1990 a senda de vitórias vai aumentando, um pouco por culpa da excelente época de Delmino Pereira, Pedro Silva e, muito em especial de Luis Santos.

António Rodrigues venceu o Prémio Abimota, Delmino Pereira foi um dos homens da equipa nesse ano, vencendo o Prémio Jogo, o Prémio do Minho e a Volta a Vila Real, para além de uma série de triunfos de etapas, em quase todas as provas do calendário nacional. Luis Santos, para além de ter ganho o prémio de Cantanhede, conquistaria em Sintra o campeonato nacional, numa prova altamente seletiva concluída apenas por nove ciclistas e a chegada à Figueira da Foz da Volta a Portugal.

Enquanto, Pedro Silva venceria o Prémio Correia do Manhã, a prova de Abertura, e uma série de triunfos em etapas, José Santiago somaria o seu quinto triunfo no Prémio de Montanha da Volta a Portugal, feito que ainda hoje não foi conseguido por outro ciclista.

Depois de já ter passado, em 1989 pela Volta ao Brasil, o Boavista participa na Vuelta a Rioja, em setembro, e inicia uma campanha internacional, que irá ter repercussão nos anos seguintes.

A camisola não alteraria a sua fisionomia, mantendo-se no preto e branco como dominantes, pela última vez…

Plantel:
António Alves
David Assunção
José Aparecido ( Brasil)
José Ferreira
Marino Fonseca
Carlos Moreira
Delmino Pereira
António Rodrigues
José Santiago
Luis Santos
Pedro Silva
Manuel Vilar
Manuel Zeferino

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1991, a internacionalização

Este ano marca a internacionalização da equipa, com várias participações em França, começando a estreia no Tour de Vaucluse e Circuit de La Sarthe. Os resultados são animadores. Pedro Silva discute chegadas de etapa, em ambas as provas, e está no pódio do Vaucluse, ao lado do maior ciclismo do mundo da altura, Miguel Indurain.

Os resultados abrem perspetivas para o futuro, com novas candidaturas a outras provas, culminando a temporada internacional com a participação no Tour de Poitou Charentes.

António Alves, que tinha estado desde 1986 ao serviço do Boavista sai para o Cantanhede, terminando a sua longa permanência na equipa, o mesmo acontecendo com José Santiago que vai correr para Espanha, ao serviço da Artiach.

O Boavista deixa em definitivo o preto e branco da sua camisola, optando por uma camisola mais colorida e moderna, e uns calções axadrezados. O novo look foi um êxito, quer em Portugal, mas sobretudo em França.

Plantel da equipa:

Alberto AMARAL
David ASSUNCÃO
Paulo COUTO
José APARECIDO
Marino FONSECA
José FERREIRA
Carlos MOREIRA
Delmino PEREIRA
António RODRIGUES
Luis SANTOS
Pedro SILVA
Manuel ZEFERINO