Volta ao Algarve (5.ª etapa): Errazquin mostra-se no Malhão

A Volta ao Algarve terminou no Malhão com a equipa a cumprir o que estava programado, procurando ao longo da competição aproveitar para adquirir ritmo, proporcionando aos mais jovens a oportunidade de competirem com alguns dos nomes mais consagrados da modalidade.
Xuban Errazquin, um dos mais jovens do pelotão, o basco tem apenas 20 anos, foi o primeiro homem da equipa, na chegada ao alto do Malhão e o melhor na geral individual , tendo já dado nas vistas na prova da Abertura, onde foi o principal animador.
Hoje, o dia foi aproveitado para uma recuperação ativa, um raid de cerca de 40 kms, para desentorpedecer as pernas, seguindo-se de tarde uma sessão de massagem.

Volta ao Algarve (5.ª etapa): Apontamentos de Filipe Cardoso

Independentemente do estado de forma de cada um, a Volta ao Algarve é uma corrida extremamente stressante. Quase 190 ciclistas a rolar a milímetros uns dos outros, a velocidades proibidas para veiculos motorizados no dia a dia, na sua maioria em estradas secundarias, estreitas , algumas com piso degradado, muitas curvas, subidas, descidas, vento mudanças de direcção, isto tudo no inicio de época.
Há, também, um stress constante na tentativa para estar bem colocado, para evitar quedas e para não ser surpreendido por um corte do pelotão em varios grupos.
Em cada curva há uma batalha, uns ciclistas lutam para avançar alguns lugares outros para não perder a posição,fica no ar o cheiro a borracha queimada das pastilhas do travão e pneus, há assobiadelas, há gritos de palavras como esquerda, direita, “left”, “right”, “carro”, “auto”, cuidado, e outras menos bonitas.
A 170 pulsações por minuto com uma ou duas palavras em linguas diferentes, que toda a gente entende, é a linguagem universal de um pelotão internacional de ciclismo.
Tudo isto contrasta com o dia de hoje em que a equipa continua junta mas a recuperar para a volta ao Alentejo, sem pressa para acordar, sem horários para alimentação nem deslocações, os ciclistas vão saindo dos quartos a conta gotas, equipados, com os sapatos na mão e óculos de sol na testa, uns sentam-se nas escadas do camião outros na beira de um carro ou em qualquer esquina que “esteja á mão” e começa a conversa do costume. Ciclistas e staff falam das histórias que aconteceram no passado, umas mais antigas outras mais recentes, mas por norma peripécias engraçadas, o ciclismo é uma modalidade e um estilo de vida muito rico em historias que feliz ou infelizmente, não chegam a ser do conhecimento dos adeptos.
A manhã acaba com um treino/passeio de bicicleta a ritmo suave e de preferencia com passagem em zonas bonitas, um café uma foto uma “selfie” e o regresso à base.
Controlar a comida e descansar é a tarefa do resto do dia

Volta ao Algarve (4.ª etapa): A rolar até Tavira

Sempre a rolar, sem grandes dificuldades ao longo da etapa, apenas a excessiva quilometragem, 203 kms,que ligaram Almodovar a Tavira, foi o que se pode chamar uma etapa sem grande sabor, a quarta da Volta ao Algarve.
O objetivo programado para a equipa acabaria por não ser cumprido, nem sempre é possível integrar todas as fugas, pois nenhum dos ciclistas da equipa acabaria por integrar a escapada do dia. No final, a equipa completa chegaria integrada no pelotão, cortando a meta com o mesmo tempo do vencedor, o alemão Andre Greipel.
Filipe Cardoso movimentou-se bem, recuperando bem da queda do dia anterior, enquanto os restantes colegas de equipa têm vindo a melhorar etapa após etapa, o que pode ser um bom sinal para a Volta ao Alentejo, que se inicia, já próxima quarta – feira.
Falta um dia para a prova acabar, uma etapa dificil , com duas passagens no Alto do Malhão, a ultima das quais a coincidir com a meta final.

Volta ao Algarve (4.ª etapa): Apontamentos da estrada por Filipe Cardoso

Até faltarem 50kms para o final, não digo que tenha sido um passeio mas o ritmo do pelotão foi acessível, até para os menos preparados, mas a partir daqui foi prego a fundo .Cada vez que espreitava para o GPS a velocidade andava sempre a rondar os 60kms/h,.
Tive algumas dificuldades nos kms iniciais, por força da queda de ontem e não me senti confortável durante praticamente todo dia , mas por outro lado senti que as pernas estavam a responder bastante bem e isso é precisamente o indicador que eu procurava.
Não sou de ter medo, mas não há heróis preferi manter-me afastado das potenciais zonas de perigo na aproximação à meta, recuei no pelotão para a “safe” zone e aproveitei para observar alguns dos meus novos colegas de equipa, e a forma como abordam a corrida, dei uma olhadela também a alguns dos adversários com quem vamos competir o resto do ano.
Conhecer quem nos rodeia colegas e adversários e a forma de pensar dos directores desportivos é meio caminho para estar uma passo à frente, nas decisões importantes.

Volta ao Algarve (3.ª etapa): Queda obriga a dar o máximo

Para a RP-BOAVISTA, nesta fase da época , a etapa de contrarrelógio foi aproveitada para melhorar a posição e afinação da bicicleta, a famosa “cabra”.
Uma máquina que obriga o ciclista a uma posição muito agressiva , apenas sustentável por pouco mais de uma hora, para que nessa hora homem e máquina, formem um só corpo, sejam o mais aerodinâmicos possível,sem perder potência.
Hoje era um tipo de etapa que nunca se sabe onde o perigo espreita. Numa reta, sem perigo nenhum aparente, bastou um pequeno desvio provocado pelo vento para entrar na valeta, com as mãos e os braços apoiados nos extensores da bicicleta, o domínio da máquina não é tão eficaz, uma saída de estrada e queda certa. O “engraçado” disto – e que no fundo não tem piada nenhuma, é que no inicio da etapa tinha dito que ia com o máximo de cuidado na parte inicial do contrarrelógio , muito técnico ,com algumas curvas perigosas e queria estar livre de problemas nesta fase da temporada. Faltam duas etapas e, depois segue-se a Volta ao Alentejo, e é importante gerir o desgaste deste dia e não correr riscos desnecessários.
Mas por vezes nem sempre tudo acontece qomo queremos, e talvez por isso, ciclismo seja um desporto diferente de tudo o resto, e que quem gosta e o percebe fica apaixonado.
Há um tempo limite para terminar todas as etapas, e o contrarrelógio não é exceção. Essa margem de tempo é estabelecida de acordo com as caraterísticas de cada etapa que, no caso era de 25% , percentagem calculada, como óbvio pelo tempo obtido pelo vencedor da etapa, independentemente se o ciclista atrasado tem ou não tem azares.
Em situações deste tipo, a preocupação maior é montar na bicicleta ,estar parado o menos tempo possível, porque o cronometro não para, e tudo tem de ser feito com a maior rapidez . Por isso mesmo, só depois de estar a pedalar é que percebi que ia a pingar sangue pelo cotovelo e que não tinha os botões do sistema eletrónico das mudanças que se tinham partido na queda. Se até ali tinha feito um C/R calmo, gerindo o esforço, daí para a frente fui obrigado a vir a fundo, para tentar entrar na janela de tempo que me permitisse alinhar na etapa de amanhã.

Volta ao Algarve (2.ª etapa): Sanchez e Luís Gomes na fuga do dia

Daniel Sanchez e Luis Gomes estiveram em fuga na segunda etapa da Volta ao Algarve, rolando na frente do pelotão durante 120 kms, sendo alcançados após a passagem da primeira contagem do PM, onde Gomes foi segundo e Sanchez terceiro.
A etapa de hoje, considerada a mais dificil da prova, acabaria por não correr tão bem quanto o esperado, em termos de classificação final, mas acabou por revelar o espirito da equipa, quando os dois ciclistas da RP-BOAVISTA se envolveram nhuma fuga com mais cinco outros atletas.
Ganhando cerca de quatro minutos, ao km 50, a fuga acabaria por ser controlada pelas equipa da QuickStep e Katusha, que nunca permitiram que esta ultrapassasse a barreira dos quatro minutos.
” Estivemos atentos na parte inicial da etapa, com dois homens na fuga, mas acusamos a dureza da parte final da etapa . O Victor Etxebarria era o homem que esperavamos estar com os vinte primeiros no final, mas nem sempre corre como pretendemos. Vamos continuar com este espírito guerreiro, para as duas próximas etapas em linha” – palavras de Filipe Cardoso que admitiu poder estar em melhor momento, já na Volta ao Alentejo:
“Esta prova está a ser bem disputada, com bom ritmo, o que me vai permitir já estar em melhor nível na Volta ao Alentejo..”
A etapa acabaria por ser ganha pelo irlandês da QuickStep, Daniel Martin, com Exebarria na 34ª posição a ser o melhor da equipa, enqaunto a equipa se classificou na 13ª posição, entre 25 formações.

Volta ao Algarve (1.ª etapa): João Benta exprimiu raça da RP-Boavista

João Benta foi o último a chegar ao “aquartelamento” da equipa em Lagoa, chegou ao aeroporto de Faro por volta das 23 horas, mas hoje mal tinha sido dado o tiro de partida, em Albufeira para a primeira etapa da Volta ao Algarve, foi o primeiro a abalar, para um longa fuga de 150 kms.
Benta exprimiu bem o espírito de raça que a equipa quer imprimir ao longo da temporada, procurando não passar despercebida e ser parte interventiva das provas em que participa.
“Tinhamos instruções para estarmos na linha da frente nos primeiros kms e responder a todas as tentativas de fuga. Não foi preciso muito, pois logo à primeira tentativa a fuga pegou. Estou satisfeito com o meu desempenho, pois foram muitos kms na frente do pelotão, num percurso dificil e com muito vento. Acabei por não perder tempo e ter um bom lugar na geral, o que é sempre bom para uma melhor posição do carro de apoio. Começar bem a época é bom, pois dá- nos moral para futuro” palavras de João Benta no final da etapa, em Lagos, que continuou efusivamente com os colegas de equipa, no regresso ao hotel, em Lagoa.
Amanhã a prova ganha novo alento, com uma chegada dura e seletiva ao Alto da Fóia e onde os intervenientes na discussão serão outros. dos sprinters de hoje, onde Fernando Gaviria se impôs a Andre Greipel, passamos para os trepadores. Um primeiro teste, este um pouco mais a sério.
Todos os ciclistas da RP-BOAVISTA cortaram a meta em lagos integrados no pelotão, com Xuban Errasquin na 24ª posição a ser o melhor classificado. Coletivamente a equipa foi 11ª em 25 equipas.