1º Estágio de Preparação

A dois meses e meio da Volta ao Algarve, o plantel da Rádio Popular-Boavista já rola nas estradas nortenhas, preparando a nova época. No decorrer do primeiro dia da jornada dupla de estágio, além do treino em bicicleta, a equipa reuniu-se no Paredes Design Hotel para discutir calendário e objetivos.

 

1989, o ano da afirmação

Esta época foi a afirmação da equipa no seu pleno. Pela primeira vez o Boavista encontra um sponsor disposto a alinhar desde o início de temporada. A Recer, empresa cerâmica de Oliveira do Bairro, tinha sido, nos anos anteriores, patrocinador da equipa do Sangalhos, que tinha na altura duas grandes secções: o ciclismo, seguindo a veia tradicional da região e o basquetebol.

Em 1989 os triunfos mais relevantes foram obtidos por Manuel Zeferino que venceu a clássica Matosinhos – Régua e o Grande Prémio Correio da Manhã, Delmino Pereira venceu o GP de Gondomar, a Volta a Vila Real e o Campeonato nacional de Fundo.
Na Volta a Portugal Delmino Pereira venceu o prólogo, no Marco de Canavezes e andou cerca de uma semana com a camisola amarela de leader , enquanto José Santiago repetia o triunfo no Prémio da Montanha.

Por seu turno, a Recer queria alargar horizontes e constituir uma equipa de maior prestígio, dado que os dirigentes bairradinos dedicavam mais atenção ao basquetebol, em detrimento do ciclismo e, num contacto com o engº Rui Abrantes, na altura administrador da Recer, ainda em 1988, o acordo tinha ficado selado, numa reunião em Santa Maria da Feira com José Santos. Quem tratou da assinatura do contrato, foi na altura o major Valentim Loureiro, o que constituiu a quase autonomia do departamento, com o Boavista a assumir apenas 35% das despesas da secção.

Delmino era um jovem transmontano, sem grande experiência de ciclismo, mas com uma força tremenda, e já não tinha passado despercebido a José Santos, os seus grandes atributos como um ciclista fora de série, bem patentes já em 1988, no ano da sua estreia no profissionalismo. E se Delmino era considerado a maior esperança do ciclismo nacional, melhor o confirmou, com uma série de vitórias, só ao alcance de grandes ciclistas. O título nacional, que era um dos grandes objetivos da equipa, desde a sua fundação, tinha sido finalmente conquistado. Faltava, agora a Volta a Portugal.

Em definitivo a equipa era considerada uma das melhores do pelotão nacional, em que competiam a Orima-Cantanhede, Atum Bom Petisco-Tavira, Garcia Joalheiro, Louletano-Vale do Lobo, Aqualine-Olhanense, Salgueiros – Landimar, Sangalhos-Grundfos, Ruquita-Feirense, Stand Custódio – Sambrazense, Sicasal- Torrense e a Vigor – Lousa. O pelotão nacional continuava a crescer, e um adversário de respeito aparecia com muitos meios : a Sicasal- Torrense, com quem o Boavista viria a travar, nos anos seguintes intensos duelos, que marcaram uma época de ouro do ciclismo nacional.

Dois nomes de grande historial no ciclismo nacional integraram a equipa nesse ano: o mecânico Guilherme Marques, quanto a nós o melhor mecânico de sempre no panorama nacional e o massagista Francisco Silva, dois lisboetas de gema. A equipa ganhava estrutura.

Plantel 1989:

António Alves – 01/10/1956
David Assunção – 18/02/1967
José Ferreira – 27/02/1964
Carlos Moreira – 13/08/1966
José Santiago – 05/06/1966
Luis Santos – 27/05/1966
Manuel Vilar – 24/04/1962
Manuel Zeferino – 23/07/1960
Delmino Pereira – 23/ 08 /1967

Triunfos aumentam prestígio em 1990

Em 1990 a senda de vitórias vai aumentando, um pouco por culpa da excelente época de Delmino Pereira, Pedro Silva e, muito em especial de Luis Santos.

António Rodrigues venceu o Prémio Abimota, Delmino Pereira foi um dos homens da equipa nesse ano, vencendo o Prémio Jogo, o Prémio do Minho e a Volta a Vila Real, para além de uma série de triunfos de etapas, em quase todas as provas do calendário nacional. Luis Santos, para além de ter ganho o prémio de Cantanhede, conquistaria em Sintra o campeonato nacional, numa prova altamente seletiva concluída apenas por nove ciclistas e a chegada à Figueira da Foz da Volta a Portugal.

Enquanto, Pedro Silva venceria o Prémio Correia do Manhã, a prova de Abertura, e uma série de triunfos em etapas, José Santiago somaria o seu quinto triunfo no Prémio de Montanha da Volta a Portugal, feito que ainda hoje não foi conseguido por outro ciclista.

Depois de já ter passado, em 1989 pela Volta ao Brasil, o Boavista participa na Vuelta a Rioja, em setembro, e inicia uma campanha internacional, que irá ter repercussão nos anos seguintes.

A camisola não alteraria a sua fisionomia, mantendo-se no preto e branco como dominantes, pela última vez…

Plantel:
António Alves
David Assunção
José Aparecido ( Brasil)
José Ferreira
Marino Fonseca
Carlos Moreira
Delmino Pereira
António Rodrigues
José Santiago
Luis Santos
Pedro Silva
Manuel Vilar
Manuel Zeferino

1991, a internacionalização

Este ano marca a internacionalização da equipa, com várias participações em França, começando a estreia no Tour de Vaucluse e Circuit de La Sarthe. Os resultados são animadores. Pedro Silva discute chegadas de etapa, em ambas as provas, e está no pódio do Vaucluse, ao lado do maior ciclismo do mundo da altura, Miguel Indurain.

Os resultados abrem perspetivas para o futuro, com novas candidaturas a outras provas, culminando a temporada internacional com a participação no Tour de Poitou Charentes.

António Alves, que tinha estado desde 1986 ao serviço do Boavista sai para o Cantanhede, terminando a sua longa permanência na equipa, o mesmo acontecendo com José Santiago que vai correr para Espanha, ao serviço da Artiach.

O Boavista deixa em definitivo o preto e branco da sua camisola, optando por uma camisola mais colorida e moderna, e uns calções axadrezados. O novo look foi um êxito, quer em Portugal, mas sobretudo em França.

Plantel da equipa:

Alberto AMARAL
David ASSUNCÃO
Paulo COUTO
José APARECIDO
Marino FONSECA
José FERREIRA
Carlos MOREIRA
Delmino PEREIRA
António RODRIGUES
Luis SANTOS
Pedro SILVA
Manuel ZEFERINO

1992, ano de ouro na história do Boavista

Em 1992 a equipa estava praticamente formada, quando Manuel Maduro, um dos maiores dirigentes do ciclismo nacional, infelizmente já desaparecido, põe em cima da mesa a possibilidade de Joaquim Gomes poder vir a ser ciclista do Boavista, clube para o qual, quer Maduro quer Gomes gostariam de ingressar. A negociação é feita em tempo record, e a Recer-Boavista passa a ter um dos melhores plantéis do pelotão nacional.

Recer-Boavista [1992]

Há a registar os regressos de Santiago e Neves, e a inclusão de Paulo Couto, mantendo-se o núcleo forte da equipa, Luis Santos, Zeferino, Delmino e David Assunção. Gomes sabia que tinha ao seu dispor, uma equipa com bons trabalhadores.

Já em meados de janeiro, Cássio Freitas desentende-se com a Sicasal, que lhe pretende baixar consideravelmente o salário, devido a um problema no joelho, que poderia complicar a temporada. Mais um esforço foi feito e, com a inclusão do brasileiro a equipa passava a ser a principal do pelotão nacional. Com dois chefes de fila assumidos, a tarefa não seria fácil de liderar, mas a união foi o factor dominante para que a equipa tivesse obtido os melhores resultados de sempre, culminados com o triunfo na Volta a Portugal, por intermédio de Cássio Freitas, com Gomes a trabalhar para todo o conjunto, num esforço de partilha e espírito de equipa.

Em Portugal, Gomes venceu a Volta ao Algarve e Cássio Freitas é o vencedor do Prémio JN. Em França aumentam as participações, para além do Vaucluse e Circuit de la Sarthe a equipa está na partida de algumas das mais importantes competições francesas, Route du Sud, Criterium Internacional, Troféu dos Trepadores , Poitou Charentes e participa no Tour de l’ Avenir.

A equipa é conhecida internacionalmente, com Gomes a vencer no Mont Ventoux, no Tour de Vaucluse e a discutir o triunfo na Route du Sud.
O efetivo da equipa alarga-se devido aos compromissos internacionais.

Acompanhando o crescimento da equipa, o look da camisola moderniza-se, num design produzido pela Diadora, na altura um dos patrocinadores da equipa.

Plantel da equipa:
1 AMARAL Alberto Carlos RODRIGUES AMORIM ° 11/12/1969
2 ASSUNCÃO David FERNANDES ° 18/02/1967
3 BARROS José Manuel NETO COELHO ° 12/10/1971
4 COUTO Paulo Manuel RODRIGUES MARTINS ° 09/10/1967
5 DOS SANTOS José APARECIDO (Bre ) ° 17/08/1969
6 FREITAS Cassio DE PAIVA (Bre ) ° 31/08/1965
7 GOMES Joaquim Augusto DE OLIVEIRA ° 21/11/1965
8 NEVES Manuel SA ° 16/06/1962
9 PEREIRA Delmino Albano MAGALHÃES ° 23/08/1967
10 PINTO Manuel-Antonio GUEDES ° 09/02/1971
11 ROCHA Carlos ° 01/02/1971 – stagiaire
12 SANTIAGO José Manuel OLIVEIRA ° 05/06/1966
13 SANTOS Luis Fernando MARQUES ° 27/05/1966
14 ZEFERINO Manuel RAMOS ° 23/07/1960