199: Delmino Pereira é campeão nacional

O ano começa com um caso entre o Boavista e o Maia, com Paulo Ferreira assinar pelos dois clubes e a criar um impasse, o que não agradou ao Boavista que acaba por o libertar.

Delmino Pereira

Delmino Pereira

Delmino Pereira vence o campeonato Nacional de Fundo em Santo Tirso, num sprint de força, dando ao Boavista o segundo Nacional do seu historial, e colocando a equipa, de novo, entre as melhores do ciclismo nacional, numa luta acesa e direta com a equipa do Maia.

Na chegada a Aveiro, ultima etapa do primeiro Prémio Portugal Telecom, Saulius Sarkauskas vence a corrida, bem nas barbas de Candido Barbosa, num sprint de mais de trezentos metros.

Para culminar a boa temporada, Delmino Pereira sobe mais uma vez ao pódio de uma das maiores provas nacionais, o Prémio de Torres Vedras. Disputado aos segundos, o Prémio de Torres Vedras estava ao rubro, com poucos segundos a separarem os primeiros classificados, devido ás bonificações. Na chegada ao Montejunto, Joaquim Gomes tenta deixar Delmino que se cola à sua roda e aguenta os ataques. Sabendo que Delmino era mais rápido, Gomes ameaça que o deixa ficar para trás e combinam a chegada. Gomes ganhava a etapa e Delmino a amarela. Do carro de apoio, para o alto onde estava Eduardo Correia veio o aviso para Delmino, a trezentos metros para a meta: “ O Chefe disse que é para o risco.” Delmino ganha e Gomes acusa-o de faltar ao combinado. Em entrevista a uma rádio local, José Santos afirmou: “ No ciclismo não há combinações. Agora nem as mulheres usam combinações.” No dia seguinte, no circuito final, os insultos e ameaças foram constantes ao longo da ultima etapa.

Na Volta a Portugal, na etapa da Torre, Delmino passa em quinto lugar nas Penhas da Saúde, num grupo de poucos ciclistas e onde vinham integrados os favoritos, Na descida, que antecede a subida final para a Torre, é visível que não domina a bicicleta e deixa de pedalar. A bicicleta vai parando por si própria, por força da inclinação que segue ao final da descida , o mecânico sai do carro em andamento e impede a sua queda. Uma violenta hipoglicemia deitou por terra a ambição de poder discutir o triunfo final. Muito a custo, e depois de ter arremessado os sapatos para longe, que lhe são calçados pelo diretor desportivo, segue viagem, depois de ter sido assistido pelo médico da prova e auxiliado por Juan Arenas e Santos Hernandez , que são mandados parar para o auxiliar, corta a linha de chegada com um atraso substancial.

Sabedores do poder dos ciclistas portugueses nas etapas montanhosas, os ciclistas italianos, presentes em força na edição desse ano da Volta, imprimiram um ritmo diabólico até à entrada da Covilhã, com a média a ultrapassar os 50 kms/h, tornando difícil a hidratação e alimentação ao longa da etapa, o que se veio a ressentir subida acima.

Ainda na Volta a Portugal a equipa seria consagrada na Póvoa de Varzim, como a melhor da Volta, repetindo o êxito já alcançado em 1989 . Foi um triunfo importante, acolhido pelos sócios axadrezados, como uma grande vitória.

O plantel tinha sido reforçado com três ciclistas espanhóis, já experientes, mas a sua contratação não deu os resultados esperados. Blas Giner deixou a equipa a meio da época e Arenas e Santos Hernandez estiveram longe de atingir o esperado. Quintino Rodrigues foi a grande contratação desse ano.

Plantel da equipa:

Juan ARENAS (Esp )
Carlos CARNEIRO
Arunas CEPELE
Blas GINER
Santos HERNÁNDEZ
Fernando MOTA
Delmino Pereira
Quintino RODRIGUES
Saulius SARKAUSKAS
Luis SARREIRA
Carlos TEIXEIRA

1996: Cássio venceu o Porto-Lisboa e Teixeira brilha na Volta

Em 1996 é feita a primeira estruturação na UCI, com as equipa serem catalogadas de 1ª e 2ª divisão, escalão em que são colocadas todas as equipas nacionais. A Sicasal, depois de uma não muito bem sucedida participação na Vuelta, desaparece no final de 1995 da cena desportiva, deixando muitos ciclistas numa situação aflitiva.

Para compensar é criada a LA Aluminios-Malveira com Manuel Maduro no comando e Joaquim Gomes como chefe de fila. No Boavista a equipa alarga-se um pouco, e da Lituânia vem Saulius Sarkauskas, que viria a ser um dos melhores sprinters dos anos seguintes.

Cássio Freitas alinha no Porto-Lisboa com o objetivo de abandonar a corrida em Coimbra, mas em S.João da Madeira entra na fuga do dia, e é obrigado a prosseguir corrida pelo diretor desportivo, José Santos. Na Malveira ataca e o Boavista ganha , pela primeira vez no seu historial, a grande clássica nacional

A equipa faz uma série de contratações na zona de Lisboa, de onde chega Carlos Teixeira, que viria a vencer o Prémio de Montanha na Volta a Portugal e que faria a delicia dos espetadores, quando em plena corrida , atende o telemóvel, quando seguia isolado numa fuga, perante a estupefação de Serafim Ferreira.

Ainda na Volta a Portugal, Carlos Carneiro vence a primeira etapa, na chegada a Alijó e atira-se à piscina, em pleno pódio, perante o gáudio popular, mas a equipa alinha desfalcada. Em pleno treino do Porto para Vila Real, a dois dias do início da Volta a Portugal Delmino adoece e é chamado de urgência, a um dia do início João Santos, que atende o telemóvel.. .na praia. Chega a Murça, onde a equipa estava alojada, à meia noite.

A equipa de trabalho mantém-se com José Santos como diretor desportivo, Eduardo Correia como adjunto, Guilherme Marques e Fernando Costa como mecânicos e Francisco Silva como massagista.

No final de temporada é feita nova remodelação na equipa, que vai depositar total confiança em dois ciclistas: Delmino Pereira e Saulius Sarkauskas.

A equipa continua equipada com bicicletas Masil.

Plantel:
Carlos CARNEIRO
Arunas CEPELE (Lit)
João SANTOS
Cassio DE PAIVA (Bra)
Paulo MARTINS
Fernando MOTA
Delmino PEREIRA
Alexandre Rodrigues
Saulius SARKAUSKAS
Luis SARREIRA

Delmino Pereira

1995: a melhor Volta de Delmino Pereira

A equipa ressente-se da ausência de Joaquim Gomes, ficando com Cássio Freitas e Delmino Peireira como cabeças de cartaz. A época até não começa mal, com Cássio a vencer o Prémio A Capital.

Da Lituânia chegam dois reforços, Arunas Cepelé , que viria a ficar no clube por muitos anos, e Remigius Lupeikiz, que venceria uma etapa na Volta ao Alentejo e seria medalha de bronze nos Mundiais de Pista, na prova por pontos.

Na Volta a Portugal, Delmino Pereira viria a ter um plano de destaque. Conseguiu o terceiro lugar, o seu melhor lugar de sempre, ele que foi um dos melhores ciclistas da sua geração, e o mais polivalente. Bom trepador, razoável a sprintar e excelente rolador tem um dos melhores palmarés, mas a sua grande ansiedade traiu-o em muitas ocasiões.

Delmino que faria toda a sua carreira ao serviço do Boavista, e que venceu praticamente todas as grandes provas nacionais, com exceção da Volta a Portugal .

José Azevedo venceria o Prémio da Juventude na Volta.

A equipa dividiu-se em provas pelo calendário internacional, mas a diminuição do plantel, fez diminuir o número de provas no estrangeiro, centrando-se a atividade mais em Espanha, onde participou na Semana Catalã, Volta a Aragão, Murcia, Castilla e Leon e Asturias.

Com uma nova filosofia, entrou para os quadros da equipa o sprinter Paulo Pinto, que venceu algumas etapas, nas principais provas nacionais.

Neste ano, ficou célebre uma frase da Cássio Freitas, referindo-se ao mecânico Guilherme Marques : “ Oh Zé Santos que mecânico lindo.” Na passagem do pelotão por Lousada, o Guilherme estava na residencial, não tinha ido à etapa e gritou :“ Força Jaquim”, referindo-se a Joaquim Gomes, que estava a correr pela Sicasal.

A composição do plantel era a seguinte:

1 José AZEVEDO
2 Paulo BARROSO
3 Arunas CEPELE
4 Cássio FREITAS
5 Remigius LUPEIKIS
6 Fernando MOTA
7 Carlos PEREIRA
8 Delmino PEREIRA
9 Paulo PINTO
10 Luis SANTOS
11 Luis SARREIRA

1994, a troca do Giro pela Vuelta

Com algum esforço financeiro, a equipa conserva Joaquim Gomes e Cássio Freitas, e contrata José Azevedo, considerada a melhor promessa do ciclismo nacional. A equipa pretende alargar horizontes e tem o maior efetivo de sempre , com dezasseis ciclistas, para um calendário alargado a França e Espanha.

Em França, são poucas as provas em que a equipa participa, e chega convite para participar no Giro, prova que coincidia com o Prémio Jornal de Notícias e Serafim Ferreira ameaça o clube, se não estiver presente no JN, não estará na Volta. A imprensa noticia largamente a questão, quando de Espanha vem convite para participar na Vuelta.

Contornando o problema, e face às excelentes condições oferecidas, a equipa opta pela participação na Vuelta, com Joaquim Gomes a terminar no 16º lugar da geral individual, e onde obtém uma classificação de grande relevo.

Sem interesse do patrocinador em França, a equipa larga o calendário gaulês que troca por um calendário alargado em Espanha.

Na Volta a Portugal, quando se esperava um novo triunfo, Joaquim Gomes tem uma etapa má, quer abandonar, mas acaba por terminar em terceiro lugar, acabando por ganhar no alto da Torre, em condições extremas, em clima de tempestade.

José Azevedo ganha o Prémio da Juventude na Volta, Joaquim Gomes é o primeiro do Prémio de Torres Vedras, Alexandre Rodrigues ganha o Prémio Correio da Manhã e Delmino Pereira venceu a Volta a Trás os Montes.

No final de temporada, Joaquim Gomes não chega a acordo com o clube, e ingressa na rival Sicasal.

Plantel:
1 Joaquim ANDRADE
2 José ANDRADE
3 José AZEVEDO
4 Francis BAREILLE Francis (Fra ) ( estagiário)
5 José BARROS
6 Paulo Barroso
7 Cassio FREITAS
8 Fernando MOTA
9 Joaquim GOMES
10 Argimiro BLANCO
11 Carlos PEREIRA
12 Delmino PEREIRA
13 Alexandre RODRIGUES
14 José ROSA
15 Luis SANTOS
16 João SILVA

Novos reforços para a Rádio Popular-Boavista

O Boavista estará mais uma vez na estrada em 2015, com uma plantel de 11 ciclistas, para cumprir a totalidade das provas constantes do calendário nacional, bem como algumas provas de carácter internacional.

Com o apoio da Radio Popular, a equipa será denominada de RADIO POPULAR – BOAVISTA, tendo como chefes de fila Rui Sousa , Daniel Silva e César Fonte, ao lado dos quais teremos alguns dos jovens mais promissores do ciclismo nacional, entre os quais David Rodrigues ( ex-Liberty Seguros) , vencedor do Prémio da Juventude da Volta a Portugal deste ano e o vice campeão nacional de sub-23, Samuel Magalhães, também ex- Liberty Seguros.

Estas foram as únicas novidades para 2015, dado que Alberto Gallego que, este ano correu apenas a Volta a Portugal pela equipa, acabaria por assinar contrato para 2015.Num misto de veterania e juventude, a equipa continuou a confiar nas potencialidades dos experientes Vergilio Santos e Célio Sousa, bem como dos jovens Frederico Figueiredo, Nuno Bico e Ricardo Vale.

Para o Diretor Desportivo, José Santos, pela trigésima temporada à frente dos destinos da formação axadrezada, a equipa corresponde às suas expectativas :

“Rui Sousa foi o segundo classificado da Volta e o vencedor da principal etapa e César Fonte foi o vencedor da taça de Portugal, dois ciclistas de grande valor e que terão objetivos distintos ao longo da temporada. Para 2015 , esperamos um bom comportamento do Rui e do Daniel Silva na Volta, e com o César estarmos ativos ao longo de toda a época.”

Em relação às novas contratações adiantou:
“ A equipa merece-nos confiança, contamos com a experiência e o saber dos mais veteranos e com a confirmação do valor de Frederico Figueiredo, bem como uma maior dose de confiança em Daniel Silva, por tudo isto não necessitamos de grandes contratações.

Estamos atentos à renovação da equipa, por isso fomos à procura de jovens promissores e com provas dadas, daí a contratação de David Rodrigues e Samuel Magalhães, de quem esperamos, no futuro, possam singrar na modalidade.” - José Santos

Em relação ao calendário de provas e objectivos para 2015, foi salientado:
“ O principal objectivo é a Volta, mas não escondemos que com tantos jovens, estamos a tentar proporcionar um bom calendário internacional, de forma a que possam evoluir. França e Espanha são os principais países onde pensamos correr. Correr no estrangeiro é bom para a equipa, e não vamos regatear esforços para podermos voltar ,em força, no campo internacional. A equipa este ano está mais coesa e com um grupo muito homogéneo.”

Primeira equipa a ser constituída, nem por isso foi considerado um handicap:
” Temos um orçamento para cumprir com rigor e constituímos a equipa com os ciclistas que tínhamos em mente. Podemos dizer que já podíamos ter anunciado a equipa há cerca de um mês. A nossa aposta é, tal como em anos anteriores, um pouco na continuidade, pois a equipa revelou , nesta temporada , um espirito de grupo muito positivo, e com resultados ao nível das expectativas exigidas pelo patrocinador e pelos nossos associados.”

1º Estágio de Preparação

A dois meses e meio da Volta ao Algarve, o plantel da Rádio Popular-Boavista já rola nas estradas nortenhas, preparando a nova época. No decorrer do primeiro dia da jornada dupla de estágio, além do treino em bicicleta, a equipa reuniu-se no Paredes Design Hotel para discutir calendário e objetivos.

 

1989, o ano da afirmação

Esta época foi a afirmação da equipa no seu pleno. Pela primeira vez o Boavista encontra um sponsor disposto a alinhar desde o início de temporada. A Recer, empresa cerâmica de Oliveira do Bairro, tinha sido, nos anos anteriores, patrocinador da equipa do Sangalhos, que tinha na altura duas grandes secções: o ciclismo, seguindo a veia tradicional da região e o basquetebol.

Em 1989 os triunfos mais relevantes foram obtidos por Manuel Zeferino que venceu a clássica Matosinhos – Régua e o Grande Prémio Correio da Manhã, Delmino Pereira venceu o GP de Gondomar, a Volta a Vila Real e o Campeonato nacional de Fundo.
Na Volta a Portugal Delmino Pereira venceu o prólogo, no Marco de Canavezes e andou cerca de uma semana com a camisola amarela de leader , enquanto José Santiago repetia o triunfo no Prémio da Montanha.

Por seu turno, a Recer queria alargar horizontes e constituir uma equipa de maior prestígio, dado que os dirigentes bairradinos dedicavam mais atenção ao basquetebol, em detrimento do ciclismo e, num contacto com o engº Rui Abrantes, na altura administrador da Recer, ainda em 1988, o acordo tinha ficado selado, numa reunião em Santa Maria da Feira com José Santos. Quem tratou da assinatura do contrato, foi na altura o major Valentim Loureiro, o que constituiu a quase autonomia do departamento, com o Boavista a assumir apenas 35% das despesas da secção.

Delmino era um jovem transmontano, sem grande experiência de ciclismo, mas com uma força tremenda, e já não tinha passado despercebido a José Santos, os seus grandes atributos como um ciclista fora de série, bem patentes já em 1988, no ano da sua estreia no profissionalismo. E se Delmino era considerado a maior esperança do ciclismo nacional, melhor o confirmou, com uma série de vitórias, só ao alcance de grandes ciclistas. O título nacional, que era um dos grandes objetivos da equipa, desde a sua fundação, tinha sido finalmente conquistado. Faltava, agora a Volta a Portugal.

Em definitivo a equipa era considerada uma das melhores do pelotão nacional, em que competiam a Orima-Cantanhede, Atum Bom Petisco-Tavira, Garcia Joalheiro, Louletano-Vale do Lobo, Aqualine-Olhanense, Salgueiros – Landimar, Sangalhos-Grundfos, Ruquita-Feirense, Stand Custódio – Sambrazense, Sicasal- Torrense e a Vigor – Lousa. O pelotão nacional continuava a crescer, e um adversário de respeito aparecia com muitos meios : a Sicasal- Torrense, com quem o Boavista viria a travar, nos anos seguintes intensos duelos, que marcaram uma época de ouro do ciclismo nacional.

Dois nomes de grande historial no ciclismo nacional integraram a equipa nesse ano: o mecânico Guilherme Marques, quanto a nós o melhor mecânico de sempre no panorama nacional e o massagista Francisco Silva, dois lisboetas de gema. A equipa ganhava estrutura.

Plantel 1989:

António Alves – 01/10/1956
David Assunção – 18/02/1967
José Ferreira – 27/02/1964
Carlos Moreira – 13/08/1966
José Santiago – 05/06/1966
Luis Santos – 27/05/1966
Manuel Vilar – 24/04/1962
Manuel Zeferino – 23/07/1960
Delmino Pereira – 23/ 08 /1967

Triunfos aumentam prestígio em 1990

Em 1990 a senda de vitórias vai aumentando, um pouco por culpa da excelente época de Delmino Pereira, Pedro Silva e, muito em especial de Luis Santos.

António Rodrigues venceu o Prémio Abimota, Delmino Pereira foi um dos homens da equipa nesse ano, vencendo o Prémio Jogo, o Prémio do Minho e a Volta a Vila Real, para além de uma série de triunfos de etapas, em quase todas as provas do calendário nacional. Luis Santos, para além de ter ganho o prémio de Cantanhede, conquistaria em Sintra o campeonato nacional, numa prova altamente seletiva concluída apenas por nove ciclistas e a chegada à Figueira da Foz da Volta a Portugal.

Enquanto, Pedro Silva venceria o Prémio Correia do Manhã, a prova de Abertura, e uma série de triunfos em etapas, José Santiago somaria o seu quinto triunfo no Prémio de Montanha da Volta a Portugal, feito que ainda hoje não foi conseguido por outro ciclista.

Depois de já ter passado, em 1989 pela Volta ao Brasil, o Boavista participa na Vuelta a Rioja, em setembro, e inicia uma campanha internacional, que irá ter repercussão nos anos seguintes.

A camisola não alteraria a sua fisionomia, mantendo-se no preto e branco como dominantes, pela última vez…

Plantel:
António Alves
David Assunção
José Aparecido ( Brasil)
José Ferreira
Marino Fonseca
Carlos Moreira
Delmino Pereira
António Rodrigues
José Santiago
Luis Santos
Pedro Silva
Manuel Vilar
Manuel Zeferino

1991, a internacionalização

Este ano marca a internacionalização da equipa, com várias participações em França, começando a estreia no Tour de Vaucluse e Circuit de La Sarthe. Os resultados são animadores. Pedro Silva discute chegadas de etapa, em ambas as provas, e está no pódio do Vaucluse, ao lado do maior ciclismo do mundo da altura, Miguel Indurain.

Os resultados abrem perspetivas para o futuro, com novas candidaturas a outras provas, culminando a temporada internacional com a participação no Tour de Poitou Charentes.

António Alves, que tinha estado desde 1986 ao serviço do Boavista sai para o Cantanhede, terminando a sua longa permanência na equipa, o mesmo acontecendo com José Santiago que vai correr para Espanha, ao serviço da Artiach.

O Boavista deixa em definitivo o preto e branco da sua camisola, optando por uma camisola mais colorida e moderna, e uns calções axadrezados. O novo look foi um êxito, quer em Portugal, mas sobretudo em França.

Plantel da equipa:

Alberto AMARAL
David ASSUNCÃO
Paulo COUTO
José APARECIDO
Marino FONSECA
José FERREIRA
Carlos MOREIRA
Delmino PEREIRA
António RODRIGUES
Luis SANTOS
Pedro SILVA
Manuel ZEFERINO

1992, ano de ouro na história do Boavista

Em 1992 a equipa estava praticamente formada, quando Manuel Maduro, um dos maiores dirigentes do ciclismo nacional, infelizmente já desaparecido, põe em cima da mesa a possibilidade de Joaquim Gomes poder vir a ser ciclista do Boavista, clube para o qual, quer Maduro quer Gomes gostariam de ingressar. A negociação é feita em tempo record, e a Recer-Boavista passa a ter um dos melhores plantéis do pelotão nacional.

Recer-Boavista [1992]

Há a registar os regressos de Santiago e Neves, e a inclusão de Paulo Couto, mantendo-se o núcleo forte da equipa, Luis Santos, Zeferino, Delmino e David Assunção. Gomes sabia que tinha ao seu dispor, uma equipa com bons trabalhadores.

Já em meados de janeiro, Cássio Freitas desentende-se com a Sicasal, que lhe pretende baixar consideravelmente o salário, devido a um problema no joelho, que poderia complicar a temporada. Mais um esforço foi feito e, com a inclusão do brasileiro a equipa passava a ser a principal do pelotão nacional. Com dois chefes de fila assumidos, a tarefa não seria fácil de liderar, mas a união foi o factor dominante para que a equipa tivesse obtido os melhores resultados de sempre, culminados com o triunfo na Volta a Portugal, por intermédio de Cássio Freitas, com Gomes a trabalhar para todo o conjunto, num esforço de partilha e espírito de equipa.

Em Portugal, Gomes venceu a Volta ao Algarve e Cássio Freitas é o vencedor do Prémio JN. Em França aumentam as participações, para além do Vaucluse e Circuit de la Sarthe a equipa está na partida de algumas das mais importantes competições francesas, Route du Sud, Criterium Internacional, Troféu dos Trepadores , Poitou Charentes e participa no Tour de l’ Avenir.

A equipa é conhecida internacionalmente, com Gomes a vencer no Mont Ventoux, no Tour de Vaucluse e a discutir o triunfo na Route du Sud.
O efetivo da equipa alarga-se devido aos compromissos internacionais.

Acompanhando o crescimento da equipa, o look da camisola moderniza-se, num design produzido pela Diadora, na altura um dos patrocinadores da equipa.

Plantel da equipa:
1 AMARAL Alberto Carlos RODRIGUES AMORIM ° 11/12/1969
2 ASSUNCÃO David FERNANDES ° 18/02/1967
3 BARROS José Manuel NETO COELHO ° 12/10/1971
4 COUTO Paulo Manuel RODRIGUES MARTINS ° 09/10/1967
5 DOS SANTOS José APARECIDO (Bre ) ° 17/08/1969
6 FREITAS Cassio DE PAIVA (Bre ) ° 31/08/1965
7 GOMES Joaquim Augusto DE OLIVEIRA ° 21/11/1965
8 NEVES Manuel SA ° 16/06/1962
9 PEREIRA Delmino Albano MAGALHÃES ° 23/08/1967
10 PINTO Manuel-Antonio GUEDES ° 09/02/1971
11 ROCHA Carlos ° 01/02/1971 – stagiaire
12 SANTIAGO José Manuel OLIVEIRA ° 05/06/1966
13 SANTOS Luis Fernando MARQUES ° 27/05/1966
14 ZEFERINO Manuel RAMOS ° 23/07/1960